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quinta-feira, 2 de outubro de 2008

O Auto da Compadecida


Já aviso: o texto abaixo é muito grande! Mas vale a leitura...

Serviço:
O Auto da Compadecida
Autor: Ariano Suassuna
ISBN: 852-2006-58-X
Editora: Agir
Ano: 2005
Páginas: 160


[estudo tirado do site Educanet]



Introdução

Povo religioso, simples, de pé no chão, acuado pela seca, atormentado pelo fantasma da fome e em luta contra a miséria.
Um breve perfil dos sertanejos nordestinos poderia apresentar todas essas informações. Acrescentar-se-ia, sem dúvida, a opressão a que foram (e ainda hoje são) submetidos por famílias
de poderosos coronéis, que possuem terras e almas por vastas áreas de todo aquele Brasil.

Durante um longo período, e através de várias obras literárias e suas adaptações para o cinema, pudemos perceber a figura desses sertanejos como a de homens de baixa estatura, mirrados pela alimentação irregular (permeada por ciclos de escassez alimentar), de pele queimada pelo forte
sol que assola a região diariamente, de mão marcada pela labuta diária no plantio da cana ou do algodão (do cacau, do tabaco,...), de roupas simples e de pés no chão.

Povo constantemente cerceado em sua liberdade pelas restrições impostas pelos caciques
políticos, que comandavam do alto de sua autoridade os seus currais eleitorais; marcado em seu comportamento pelas imposições morais da Igreja Católica; castrado em seus posicionamentos
pelo analfabetismo e pela falta de informação.

Apesar de tudo isso, o "sertanejo é um forte" (como nos disse Euclides da Cunha). Homens de
muita perseverança, de fibra, de grande disposição, sempre dispostos a vencer as adversidades
que se impõem ao longo de seus tortuosos caminhos. Criadores de formas marcantes de expressão cultural como a literatura de cordel; que possuem a música em sua corrente sanguínea, como
parte integrante de sua natureza; realizadores de obras de estética original e própria
através de seu artesanato.

O Auto da Compadecida, de Ariano Suassuna, uma das obras-primas da literatura nacional, e principalmente, seus personagens centrais, representam a transposição de todas as características apresentadas anteriormente acrescidas a uma grande esperteza.
Dá enorme gosto ler o livro. Retratos de uma brasilidade que às vezes parece distante dos habitantes do centro-sul e que, no entanto, também fazem parte de cada um de nós.

A História

A divertida história João Grilo, um sertanejo pobre e mentiroso, e Chicó, o mais covarde dos homens.Uma dupla de nordestinos que se envolve em uma série de aventuras.
Ambos lutam pelo pão de cada dia e atravessam por vários episódios enganando a todos da
pequena cidade em que vivem.

Em O Auto da Compadecida estes dois trapaceiros, ardilosos e espertalhões, tentam sobreviver
em uma pequena cidade do nordeste, no vilarejo de Taperoá, sertão da Paraíba.

Os dois nordestinos sem eira nem beira, andam pelas ruas anunciando A Paixão de Cristo,
"o filme mais arretado do mundo".
A sessão é um sucesso, eles conseguem alguns trocados, mas a luta pela sobrevivência continua.

João Grilo e Chicó preparam inúmeros planos para conseguir sobreviver. Novos desafios vão surgindo, provocando mais confusões armadas pela esperteza de João Grilo, sempre em parceria com Chicó que se divertem enganando na melhor tradição do jeitinho brasileiro

A trama começa a ser hilariantemente tecida quando os dois amigos se empregam numa padaria,
e passam a se relacionar com seu avarento padeiro e sua mulher, Dora, muito namoradeira. Explorados pelos patrões, que lhes concedem tratamento inferior aos animais da casa, os dois, aturdidos pela irresistível compulsão que fundamenta a ambição, vêem uma chance de ganhar
alguns trocados quando a cadelinha de estimação da mulher morre e os dois organizam um enterro de luxo, em latim – o que vai criar um conflito no âmbito da igreja, entre o padre e o bispo, assim como com o coronel, todos engabelados por João Grilo, na sua tentativa deslavada de emendar
o mal-feito, sempre obtendo vantagens.

Mas a chegada da bela Rosinha, filha de Antonio Moraes, desperta a paixão de Chicó, e ciúmes
do cabo Setenta, outro pretendente á mão da virgem nubente. Os planos da dupla, envolvem o casamento entre Chicó e Rosinha e a posse de uma porca de barro recheada de dinheiro.

As peripécias destes personagens são interrompidos pela chegada do sanguinário cangaceiro Severino de Aracaju. Apesar de toda a lábia, João Grilo acaba morrendo e Vai para o purgatório..

Uma vez do outro lado da vida, todos os mortos reencontram-se no Juízo Final, onde serão julgados no Tribunal das Almas por um Jesus negro e pelo diabo.

O destino de cada um deles será decidido pela aparição de Nossa Senhora, a Compadecida e
traz um final surpreendente, principalmente para João Grilo que resolve a apelar para Nossa Senhora para ver se escapa literalmente de um destino pior do
que o inferno.
João recorre a sua inteligência para convencer o Juiz, Jesus Cristo, a salvá-lo
das chamas do inferno, e evoca Nossa Senhora a, mais uma vez, socorrê-lo.

Comentário Crítico

Escrita pelo dramaturgo e escritor pernambucano Ariano Suassuna, em meados da década de 50, reproduz o modelo de textos religiosos encenados em procissões e átrios de igrejas, como era
comum naquele tempo, mantendo-se uma tradição medieval e renascentista que parece ter vindo
de Portugal, ou do mundo ibérico (entre os autores mais conhecidos podemos referir Lope da
Veja, Calderon de La Barca e Gil Vicente), e sido introduzido entre nós no século XVIII,
sendo o caso, por exemplo, dos Auto dos Reis Magos, e toda sorte de performances dramáticas encenadas nas procissões de Corpus Cristi, Natal, Páscoa, etc.

Acresce-se a isto o fato de que todas as histórias aqui alinhavadas foram recriadas a partir de histórias outras, retiradas do universo da poesia popular brasileira, também conhecidas
como “literatura de cordel”.
De acordo com o próprio Suassuna, baseado em romances e histórias populares do Nordeste, e
em certa tradição circense. Tradição, aliás, claramente reconhecível na estruturação dos seus dois personagens principais: João Grilo é o palhaço espertalhão, secundado por Chico, ingênuo
e covarde. O palhaço e a besta!

Lendo esta peça, podemos sentir sua força poética e popular, o catolicismo que ela transmite, a simplicidade dos diálogos.
A estrutura teatral e os tipos vivos fazem desta obra um exemplo raro na dramaturgia brasileira. Vemos os tipos de personagens nordestinos, e vemos também o tipo bem brasileiro neles, que é
o de "dar conta do recado" com o famoso "jeitinho" brasileiro.
Aqui vemos a forma de criação dos personagens segundo o autor:
Meus personagens ora são recriações de personagens populares e de folhetos de cordel, ora são familiares ou pessoas que conheci.

No Auto da Compadecida, por exemplo, estão presentes o Palhaço e João Grilo. O Palhaço é inspirado no palhaço Gregório da minha infância em Taperoá. Já o João Grilo é o típico nordestino amarelo, que tenta sobreviver no sertão de forma imaginosa.
Costumo dizer que a astúcia é a coragem do pobre. O nome dele é uma homenagem ao
personagem de cordel e a um vendedor de jornal astucioso que eu conheci na década de 50 e
que tinha este apelido.

"Vemos que o catolicismo está presente devido ao grande apego que os nordestinos tem a DEUS
e o grande medo do diabo, vemos também que os personagens masculinos expressam o tipo "machões", mais na verdade alguns deles são muito medrosos, principalmente quando se envolve
a figura de forças superiores.

O livro mostra a esperteza de muitos personagens também, é o caso de João Grilo, que aplica
vários "golpes" ao decorrer da história, dando uma de personagem malandro e aproveitador
dos idiotas e ingênuos.

O Auto da compadecida é, principalmente, um documento sobre a sociedade brasileira.
Retrata seu lado burlesco, ou seja, aquele em que a própria figura humana, mesmo vista na
sua miserável lida, torna-se engraçada.

Cômicas parecem ser as histórias, sem dúvida, porém enormemente trágicas.
São tragicômicas as tramas destas histórias, intricadas por personagens tipicamente brasileiras,
na grandeza de sua fé, na pequenez de pequenos gestos sorrateiros, na ingenuidade e na
esperteza da viva inteligência de alguns, na malfadada sina de outros, nas traições habilmente urdidas, no poder de poucos sobre muitos e, sobretudo, na crença da vitória do amor e
da justiça divina.

Por tudo isso, se ousará reafirmar aqui, peremptoriamente, de que o livro é um documento de
nossa cultura brasileira, e que tem de ser analisado a luz do par conceitual relacionada a
esta idéia de cultura, no caso as palavras-chaves Nacional e Popular.

Os estudiosos da história, aliás, tem uma conhecida fórmula que ensina que um documento –
como é o caso do livro - sempre nos fala profundamente, desde que saibamos como indagá-lo.

Vejamos, assim, como podemos criar uma problemática em torno do livro mencionado,
considerando-se, inclusive, o tipo de questão que pode ser proposta no
vestibular, e que, provavelmente, buscaria uma analogia com algum contexto,
a exemplo do suscitado pela indagação sobre a identidade e caráter nacional
dos brasileiros; ou seja, o povo e a nação brasileira, na sua problemática básica:

quem somos nós os brasileiros?
por quê somos assim?
Como viemos a nos tornar o que somos?
Como e com que nos identificamos como nação e como povo?
E, sobretudo, faz sentido, em um mundo como o nosso, um país como o que temos?

É com base nesta problemática geral que vamos reivindicar aqui nosso argumento para que se possa ver a obra.

3 comentários:

  1. Ah mas esse livro eh phoda! li em uma tarde! ^^ Chicó, João Grilo... muiiitooo bom!!!

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  2. Sobre a Takai...
    Nossa, cê eh fã mesmo! Comprar o E.M. só por causa dela é mesmo um privilégio [se eu fosse ela acharia uma honra! coisa muitoo nobre. Nobríssima! ^^]

    Sobre o parque das moscas...
    Amigo, sinta-se feliz, pois sempre há alguém no mundo pior que vc! tenha-me como exeplo vivo, de carne, osso e coração [e não tenho o privilégio de moscas como vc. Nem pernilongos. Nem abelhas]

    Sobre a minha paciência...
    Eh, no fundo, no fundo [entre as moscas...] ter brrroooggg eh bão dimais! uhauhaha!!! [coisa de gente importante. Que parece que tem algo importante a dizer. Tem? quase sempre e quase nunca também]

    Sobre o internetês...
    Apesar da falta de vergonha na lata [confessa, eh verdade], a filha da puta da modernidade tem corrompido meus valores [alguns, não todos. Alguma coisa tem que se salvar nessa cabeça oca neh Brício? ^^]

    Sobre a sexta...
    Não, ela não promete. E pra falar a verdade, promessas não andam fazendo muito parte da minha vida ultimamente. tá bão.

    Sobre o harry...
    o quê??? sexto filme??? sou mesmo uma anti potterista mesmo! Parei no cálice de fogo e estacinei como poste.Ah, de qualquer maneira esse Harry me dá medo. rsrs... Esse Harry é engraçado. Parece um bruxo! =P

    Sobre o reloginho fashion...
    Num dia em que eu estiver com a vã paciência [que não possuo] eu o colocarei no meu brrrooog e te deixarei um cometário pedindo pra vc sempre olhar as horas por ele. ^^

    Sobre o fim...
    Acabou!!!

    bjos Brícioooo!! =**

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  3. ahhhh erros de digitação [acontece nos melhores dedos tortos!]: bláh! Desde então sinto-me perdoada! [e por mim mesma, que fique claro!] =)

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